Um BLOG PARA CHAMAR DE MEU

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sábado, 27 de março de 2010

Vida cotidiana

Ela é casada e tem um filho.
Pela manhã o deixa na creche e ruma para seu trabalho no centro de São Paulo.
Trânsito sempre congestionado. Nos dias de chuva a cidade sofre e ela chora. Chora sua vidinha mais ou menos.
Não pode nem cantar para espantar seus males pois o guarda a multa achando que ela está no celular - viva-voz!
Se fica no silêncio é invadida por milhares de pensamentos sofridos, pensamentos da sua vida corrida e complicada que vai do trabalho corrido, estressante e bem remunerado ao inferno gelado da sua vida conjugal.
Com o trabalho que adora não tem tempo de pensar nas contas que ela tem que pagar, no carro que precisa de manutenção (não é a melhor motorista do mundo), no filho que precisa de cuidados pela pouca idade e pela falta que sente dos pais.
No caminho de volta o relógio marca 20h30, pensa no filho que já é obrigado desde cedo a viver um dia corrido, acordando cedo, dormindo tarde, sem pais presentes, sem uma educação linear.
A criança fica a manhã toda na escolinha, vai para a casa da avó depois do almoço, brinca sozinho porque não tem crianças por perto, as vezes sofre calado de saudades.
Por volta das 21h ela chega na casa da mãe, brinca um pouco com o filho e finge se interessar pela vida acadêmica dele, finge se interessar pelo dia e pelos problemas da mãe, aproveita e tem um "arranca-rabo" com o pai para não perder o costume.
Ela pensa na sua casa e se entristece, já não tem mais prazer em estar lá, quase não tem mais certeza de que lá é seu lar.
Ela chega com o filho já adormecido em seus braços. Ela dorme no sofá assistindo à um filme qualquer, estão sozinhos.
Ela acorda assustada:
-Cadê ele?
Levanta num salto e sente a fisgada na coluna, corre para o quarto e o encontra esparramado na bela cama de casal que ela comprou, com seus lençois limpos e seu cobertor quentinho. Está com os pés gelados.
Olha o relógio, quase 6h30, já está na hora de se levantar mesmo!
Pensativa olha mais uma vez para o marido e não consegue sentir raiva... mágoa... nem amor... Já não sente nada.
O dia começa de novo chuvoso mas, desta vez, ela não chora.
Sorriso aberto, trânsito intenso e um só pensamento: "a viagem".